sexta-feira, 27 de abril de 2007

Capítulo 8

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Sobre o que Vinny queria resolver com Vico

Ele me executariam no escritório mesmo ou me levariam para um beco e me encheriam de chumbo?
Vinny caminhou até minha escrivaninha e apagou seu cigarro no cinzeiro.
Olhou-me e eu esperava que viesse de sua boca a minha sentença de morte.
— Desculpe-nos aparecer esta hora da noite, detetive, mas temos um trabalho para você.
Esta frase soou surreal. Que tipo de trabalho eu poderia prestar para a máfia?
— Como assim? — não pude evitar de gaguejar.
Vinny puxou a cadeira, mas não se sentou:
— Posso?
— Claro! — endireitei-me no meu assento, estendendo a mão para que ele fizesse as honras.
— O que acontece, detetive, é que titio ficou muito impressionado com você, hoje à tarde.
— Umhum... — que papo mais estranho, pensei.
— Nossos informantes descobriram que, semana que vem, desembarcará um navio vindo de Xangai.
— O que ou quem estará a bordo. — eu coçava o queixo.
Vinny prosseguiu:
— Brinquedos, seda, chá... — meu interlocutor respirou profundamente — E quinhentos quilos de ópio.
— Entendo.
— Não podemos permitir que esta quantidade de drogas chegue às ruas. Isto comprometeria seriamente nosso controle sobre a distribuição na cidade. Os chineses estão querendo nos passar a perna, mas vamos nos adiantar e dar a rasteira neles.
— E por que eu? Por que não alguém da sua família? — eu ainda estava desconfiado.
— Aqueles malditos chinas farejam um italiano a quilômetros de distância. Eles só parecem ser idiotas, mas, na verdade, são bastante astutos os desgraçados. — havia ódio no olhar de Vinny.
Curiosamente, eu nunca havia pensado que os chineses fossem estúpidos. Na minha opinião, os carcamanos eram bem mais bocós.
— Já perdemos três homens nas mãos dos chinas. — Vinny esclareceu.
Ahá! Aí estava a razão. Três italianos já haviam morrido. Eles não podiam se dar o luxo de perder mais alguém para a máfia chinesa. Um detetive particular, sem vínculos com a família, seria uma perda irrelevante.
Eu estava pronto para recusar o trabalho, quando Vinny fez a proposta.
— É óbvio que pagaremos seus honorários de acordo com a periculosidade do serviço, além de quaisquer eventuais gastos que você tenha durante a investigação.
— De quanto estamos falando? — dinheiro sempre era um estimulante, ainda mais quando se está com a corda no pescoço.
— Dez mil. Cinco adiantado, e o resto quando recebermos a informação.
Dez mil! Isto era mais do que eu havia recebido no ano passado inteiro! Eu poderia alugar um lugarzinho para morar, reformar o escritório e quitar algumas dívidas.
— Dez mil? — repeti — Bem, parece ser um valor justo...
Vinny largou a pasta sobre a minha mesa e a abriu. O dinheiro quase saltava dela.
— Como você deve saber, você se reportará a mim. Don Carregno não deve ser incomodado.
Martins já havia me explicado a hierarquia; era óbvio que Carregno queria se eximir de qualquer culpa. O responsável por esta operação era Viccenzo, se alguém tombasse nesta operação, seria ele.
— Eu sei como as coisas funcionam.

Apenas quando Vinny e os capangas deixaram meu escritório que o peso desabou sobre mim: agora, eu estava nas garras da máfia. E eu tinha poucos dias, talvez poucas hora, pois estávamos no domingo à noite, para cumprir o serviço.

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