domingo, 22 de julho de 2007

Capítulo 31

Vico tem cartas na manga. Como ele convence Vinny a deixá-lo vivo.

— Concordo com você — eu disse — Está na hora de pormos um ponto final. Lembra-se quando você me chamou de arrogante?

— Lembro.

— Então, você tinha razão, mas eu aprendo com meus erros. Você está disposto a me matar. Tudo bem, vai em frente! Puxe o gatilho e tente enterrar seus problemas. Porém, amanhã, quatro cartas serão enviadas. A primeira, endereçada ao Departamento de Crimes Organizados, com fotos demonstrando seu envolvimento com o roubo de carga e com o massacre no porto; a segunda, para a Divisão de Homicídios, com cópias do diário de Silvana e com os comprimidos usados para assassiná-la; a terceira, para “A Gazeta”, com toda a história do que ocorreu nestes últimos dias...

Calei-me; a mão de Vinny começou a tremer.

— E a quarta carta? — perguntou.

— A quarta? Talvez esta seja a que mais lhe interesse. Porque as três primeiras não mudarão sua vida, sabemos muito bem quão corrupta é a polícia, e que uma bolada na mão dum inspetor influente é capaz de fazer muita coisa; bem, os jornais falam muito e, no dia seguinte, as pessoas nem se importam mais com as notícias do dia anterior. Mas a quarta carta é endereçada a Francesco Zambini.

VInny engoliu a seco.

— Acho que li na “Tribuna”, não tenho certeza, mas li que, na semana que vem, haverá uma votação entre os chefões da região Leste para a escolha do sucessor de Giuseppe Carregno. Estou errado?

Vinny permaneceu em silêncio, havia baixado a arma.

— Parece que você é o grande favorito de Zambini, cuja opinião é a mais importante nesta reunião. Agora, imagine só se ele recebe uma carta, na qual ele descobre que o favorito dele é o próprio responsável pela morte do primo Carregno! Seria uma comoção. Você, Vinny, não só não seria nomeado o novo capofamiglia desta cidade, como Zambini faria questão de arrancar seu coração com as próprias mãos. Um traidor como você seria tratado como um verme, aliás, como o verme que você é! Então, Vinny, se você quiser puxar o gatilho, faça-o agora!

O jovem deixou a cabeça cair, respirou fundo, pensava.

— Você já entendeu o recado... Como eu disse, você pode jogar bem xadrez, mas eu tenho um royal straight flush nas mãos. Eu ganho, você perde.

Virei-me e me preparei para deixar a sala. Quando abri a porta da biblioteca e vi os esquifes de Giuseppe e Salvatore, não pude deixar de comentar com Vinny:

— Seu tio era mais homem, e mais digno, do que você jamais será. Nunca se esqueça disto.

Até imagino o que você está pensando: teria sido muito melhor se eu houvesse entrado naquele escritório, tirado meu revólver e ter disparado na cara do filho-da-mãe. Se você não pensou isto, eu pensei. Descobrir ter sido manipulado, jogado de um lado ao outro, e quase ter morrido duas vezes faz isto com as pessoas, cria um certo desejo de vingança.

Eu adoraria varrer Vinny do mapa. Mas de que me adiantaria? Outro mafioso assumiria o lugar dele no comando e, em retaliação, poria minha cabeça a prêmio. Onde quer que houvesse uma pizzaria, um maldito carcamano, haveria alguém disposto a me dar um tiro pelas costas. Em lugar algum do mundo eu estaria seguro. Era melhor assim, eu continuava vivo, e Vinny estava em débito comigo. O assassino de Silvana não seria punido, eu não cumpriria minha promessa a ela, mas assim é a vida; nem tudo que queremos conseguimos. Desconfie de qualquer um que lhe disser o contrário.

Mas faltava cumprir um último desejo de Silvana.

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