sexta-feira, 13 de julho de 2007

Capítulo 29

Vico conta a Viccenzo suas conclusões. Primeira parte.

Quer dizer, o escritório que era de Giuseppe Carregno, agora era de Viccenzo Imbruglia. Que escalada em menos de quarenta e oito horas!

Entramos na biblioteca. Vinny acendeu um cigarro, contornou a escrivaninha e, com displicência, apontou uma cadeira para eu me sentar. Contrariando-o, andei até perto da janela, fitei o tabuleiro de xadrez, onde, dias antes, conversei com Don Carregno; as peças estavam mexidas, era um jogo começado.

— Quando conversei com seu tio pela primeira vez, Vinny, você se lembra o que ele me disse?

— Não, não lembro — Vinny respondeu, entediado.

— Ele disse que você era um grande jogador de xadrez. Não entendi na hora, mas agora acho que entendo. Seu tio tinha razão.

Vinny se ajeitou na cadeira, fumava.

— Eu não sei jogar xadrez, rapaz. Disse-o a seu tio. Mas sou um ótimo jogador de pôquer. Não preciso que me avisem quando estou com boas cartas nas mãos; e sei blefar! Ah, como sei! O problema do pôquer, meu amigo, é que o outro jogador nunca tem certeza se você está blefando ou com um puta jogo. Tem de pagar pra ver!

— Entendo... — Vinny retirou um talão de cheques do bolso — Quanto você quer?

— Lá vem você com dinheiro — fui em direção a ele — Não quero dinheiro, seu verme! Quero paz! Quero que vocês me esqueçam! Você e sua família de mafiosos de merda!

— Não estou, nem nunca estive, em posição para ajudá-lo, Vico. Foi você quem se enforcou. Agora arque com as conseqüências.

— Mentira! Mentira! — exaltei-me, mas logo me recompus — Quando tudo isto começou, vim aqui para investigar a morte duma amiga. Quando percebi, já estava enredado em algo muito maior do que imaginava. Fui cego, não vi que me manipulavam.

Vinny riu.

— Eu tinha certeza de que o responsável pela morte de Silvana havia sido seu tio. Não havia suspeito mais óbvio. Mas não tinha um motivo; não sabia a causa da morte. As provas que buscava me escapavam pelos dedos.

O mafiosinho fechou os olhos, tentava imaginar aonde eu queria chegar.

— Na noite em que seu tio foi assassinado, eu estava aqui, vi tudo.

Vinny deu um pulo na cadeira, finalmente, eu estava lhe falando algo interessante.

— Não seria novidade dizer-lhe que foram os chineses. A guerra já estava declarada antes disto; possivelmente, causada por mim, que falei o que não devia.

— É por isto que não posso deixá-lo em paz — Vinny resmungou — Tente entender minha parte.

Fingi que não o ouvi.

— Quando os assassinos foram embora, eu já estava quase indo também, mas passei diante do quarto da Silvana e resolvi dar uma olhada. E não é que dei sorte de encontrar um diário que ela escrevia?

Vinny arregalou os olhos.

— Um diário? — ele soluçou.

— Sim, no qual ela contava tudo. Inclusive, ela até menciona que vocês eram amantes.

O jovem engasgou, tossia, estava vermelho.

— Vê que eu tenho uma boa mão. Não lhe disse que sei jogar pôquer. Quer pagar pra ver o que mais eu tenho?

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Um comentário:

Fábio Maia disse...

muito legal isso.. descobri agora!!
vou acompanhar eheehe
abraço