quarta-feira, 11 de julho de 2007

Capítulo 28

Vico no velório do chefão

O assassinato de Giuseppe e Salvatore foi manchete de primeira página dos jornais. Um escândalo!

Os de linha mais conservadora apresentavam uma retrospectiva da carreira criminosa dos Carregno e prognosticavam os rumos do crime organizado na cidade; já os tablóides preferiram enfatizar como tudo aconteceu, inclusive com fotos dos irmãos, um sobre o outro, embebidos em sangue.

Os corpos deles seriam velados na própria mansão na qual foram executados. Cheguei de manhã, horário no qual todos os figurões deveriam estar presentes, prestigiando a partida dos ilustres criminosos.

O carro de Rose ainda estava estacionado na frente do casarão, ao lado de carros luxuosos e limusines. O portão ainda não havia sido consertado, por isto, estava aberto todo o tempo. Subi pelo curto trajeto entre o portão e o alpendre da mansão. Soldados da máfia me observavam, desconfiados, mas não me barraram.

No vestíbulo, dois dos capangas me reconheceram, arregalaram os olhos e, instintivamente, enfiaram as mãos dentro dos casacos.

— Talharim e Polenta? — ri — Acho que eu era a última pessoa que vocês imaginavam estar aqui hoje, não é?

— Pelo jeito você não tem amor mesmo à vida, não é Ludovico? — Polenta me disse — É melhor dar meia-volta e sumir daqui, se não quiser que o matemos novamente.

Por entre os dois grandalhões, pude ver os esquifes, rodeado de pessoas. Apontei para primeira pessoa que reconheci:

— Ali não é o prefeito, Polenta? Ele adoraria ver dois mafiosos executando um eleitor... Se este motivo não for o bastante, quem sabe se eu gritar aqui, diante de todos, os motivos por que Giuseppe Carregno foi morto, eu lhes faça mudar de idéia.

Os dois se afastaram.

— Bons rapazes. Dêem-me licença, pois preciso bater um papinho com Vinny.

Uma mulher chorava, em desespero, sobre o caixão de Salvatore, a viúva, possivelmente. Vinny estava ao lado do de Giuseppe, usava óculos escuros. Aproximei-me e vislumbrei o semblante sereno do cadáver, algodões nas narinas. “Até que ele não era uma má pessoa”, pensei. Com tanto canalha por aí, Giuseppe Carregno era o menos pior.

Pus a mão sobre o ombro de Vinny, que se virou para receber as condolências. Quando me reconheceu, afastou-se, e voltou o olhar para capangas ao seu redor, pedindo ajuda.

— Calma, Vinny, tenho algo muito importante para lhe contar.

Um dos grandalhões, que ainda não me conhecia, segurou-me o braço.

— Acompanhe-me, por favor, senhor — ele tentou me puxar.

— Descobri quem matou Silvana, Vinny. Tenho certeza de que você achará minhas conclusões bastante interessantes.

Com um gesto, Vinny indicou ao guarda-costas que me soltasse.

— Vamos até meu escritório — Vinny foi na frente.

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