terça-feira, 26 de junho de 2007

Capítulo 24

O ataque relâmpago dos chineses

Emprestei o automóvel da Rose; se eu chegasse na frente da mansão de Giuseppe Carregno com meu próprio carro, na hora eles me reconheceriam.

Vinny havia me instruído a nunca me dirigir a Giuseppe, mas, se eu quisesse saber a razão por que eles me queriam morto, eu teria de contrariar esta orientação; afinal de contas, para eles, eu já estava morto mesmo!

Bastaria esperar que Vinny e seus capangas deixassem a mansão (eu podia ver os veículos deles estacionados diante do casarão), pular o muro e pegar o chefão de pijamas. Sem seus seguranças por perto, desarmado, todo homem vira uma mocinha, até mesmo Don Carregno. Então, tiraria tudo a limpo.

Aguardei...

Por volta da meia-noite, Vinny e seus soldados deixaram o casarão e entraram nos carros. Um dos mafiosos desceu até o alto portão de entrada, abriu-o e aguardou até que os automóveis passassem, depois o fechou e, saltando para dentro do carro em movimento, embarcou.

Arrancando os pneus, eles desapareceram. Pareciam estar com pressa. Talvez estivessem indo jogar no mar algum outro enxerido linguarudo.

Após me certificar de que ninguém estava vigiando, saí do carro e corri até o muro do casarão; com bastante dificuldade, escalei a parede e alcancei o outro lado.

Na mansão de Carregno, as luzes se apagaram; estavam indo dormir. Parei diante da primeira janela, da biblioteca, luzes apagadas, o mesmo ambiente no qual me encontrei com Carregno pela primeira vez, bem perto da janela, o tabuleiro de xadrez.

Foi quando ouvi um barulho, como um acidente de carro. Vinha do portão da mansão. Avistei um caminhão, daqueles com escavadeira na frente para remover neve das ruas no inverno, vindo em direção à casa; havia derrubado o portão, e era secundado por outros cinco automóveis.

Eram chineses!

Eu nunca tive ilusões quanto a isto; a guerra entre chineses e italianos era iminente e tiraria muitas vidas, de ambos os lados, mas jamais pensei que a máfia chinesa seria capaz dum ato tão direto e brutal. Eles deviam estar realmente furiosos com o roubo do ópio e, com a informação que obtiveram de mim, sabiam exatamente onde encontrar o responsável.

Curiosamente, vieram no preciso momento em que Carregno parecia estar desprotegido; não fazia vinte minutos que o grupo de Vinny havia deixado o local e, se Carregno estivesse sendo escoltado agora por cinco homens de confiança, eles não bastariam para protegê-lo.

Os chineses estavam armados e furiosos. Metralharam a porta dianteira da casa e a invadiram. Acompanhei a movimentação no interior dela através da janela e vi quando eles fuzilaram o primeiro dos guarda-costas de Carregno, que estava armado apenas com um revólver.

Enquanto ouvia as rajadas de tiro, circundei a mansão e fui até os fundos, onde havia uma porta de vidro, que dava acesso da casa até o quintal, com piscina, churrasqueira e um jardim. Esta porta translúcida proporcionava uma visão melhor do massacre, já que permitia visualizar a sala de jantar e, através dum largo umbral, o átrio e a porta dianteira.

Com surpreendente estratégia militar, os chineses dominaram o cenário, postaram-se em posições favoráveis e aguardaram a reação dos italianos.

Outro dos guarda-costas desceu pela escada e, logo que foi avistado pelos chineses, foi metralhado, rolando escada abaixo, coberto de sangue.

Ouvi os gritos dos chineses:

— Calegno, desce!

Mas Carregno não descia.

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