terça-feira, 19 de junho de 2007

Capítulo 22

Rose ampara Vico

— Vico? Nossa, que surpresa! — Rose estava animada com meu telefonema, mesmo que fosse a cobrar.

Mas eu não estava tão empolgado, a noite estava fria, e as roupas molhadas estavam me congelando, caminhei horas até um posto de gasolina, e tudo que queria era uma cama para me deitar e dormir.

— Rose... Não estou nada bem. Preciso de você.

— Venha até minha casa, Vico. Você sabe que sempre foi bem-vindo. A escolha foi sua de partir.

Lá vinha ela querendo discutir a relação.

— Não tenho como ir para sua casa, Rose. Estou no meio do nada, acabaram de tentar me matar; estou morrendo de frio.

— Onde você está? Eu vou buscá-lo.

A preocupação dela era genuína, sempre a achei uma idiota por causa disto, mesmo eu a espezinhando, ela continuava me amando.

Dei as orientações a ela, agora, restava-me esperar.

Sentei-me perto da loja de conveniência do posto, ergui a gola do casaco, tentando me aquecer. Um caminhoneiro chegou e desembarcou. Olhou-me e percebi que estava compadecido; aproximou-se de mim e jogou algumas moedas.

— Tome uma birita, tio, isto vai te esquentar. Se quiser, pode ir comigo pra cidade; há um abrigo para mendigos lá.

— Mendigo é o desgraçado do seu pai! — apanhei as moedas e joguei na cara do caminheiro. — Aproveite e enfie seu dinheiro no rabo!

Brincadeira! Eu já estava todo fodido, e ainda vinha um ignorante para me tratar como um indigente. O caminhoneiro fechou a cara, e me jogou as moedas novamente, mas agora com violência.

— Se está na merda é porque merece, seu pé-rapado porco!

E entrou na loja de conveniência, deixando-me em paz, congelando, batendo os dentes.

Rose não demorou a chegar, trazia uma muda de roupas secas nas mãos. Veio e me abraçou:

— No que você se meteu desta vez, rapaz?

Devolvi o abraço, lágrimas engasgadas nestes meus olhos brutos.

— No mesmo de sempre, menina.

— Tudo vai ficar bem. — e esta frase, vindo de Rose, só podia ser verdade.

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