No
Logo na segunda-feira de manhã me encaminhei ao porto.
No cais, visitei os gabinetes de vários despachantes, mas poucos puderam me dar alguma informação relevante.
Um dos estivadores, porém, me orientou a falar com Liang, despachante que comumente lidava com embarcações provenientes da China.
O pequeno escritório estava impregnado de fumaça. Liang, em sua mesa, óculos fundo de garrafa, lia um jornal em chinês, abanava-se com um leque, pois o calor era impiedoso, e fumava com languidez.
— Liang? — chamei-o.
Ele voltou para mim os olhos estúpidos.
— Sou Vico, detetive particular.
Liang continuava me observando, como se não estivesse me entendendo.
— Você falar português?
— Sim, é clalo. O que você quel?
— Eu possuo um cliente que está muito preocupado... Ele comprou algumas mercadorias chinesas e há mais de um mês ele está esperando elas chegarem. Ele recebeu a informação de que possivelmente o navio com sua encomenda está para chegar esta semana, mas ele ainda não sabe a data.
Liang não se mostrou muito entusiasmado com meu pedido. Retirei duas notas do meu bolso.
— Tem mais de onde estas vieram. Ponha um pouco de ânimo neste corpinho e me ajude. — ri. A visão do dinheiro foi um estímulo para o despachante, que jogou jornal e leque sobre a mesa e retirou um grosso livro, capa dura, duma gaveta. Liang ajeitou os óculos, abriu o livro e passou a folheá-lo, correndo o dedo pelas anotações.
— De onde você disse que o navio vem mesmo? — Liang perguntou, sem perceber que eu não havia lhe dito nada anteriormente.
— Xangai. Vem de Xangai. — resmunguei.
— Sim, sim... — Liang voltou um par de páginas e reiniciou a procura, dedo correndo pelas páginas. Subitamente, o dedo parou. O cenho de Liang se franziu, ele ajeitou os óculos e olhou, primeiro em minha direção, depois, na direção da porta, imediatamente atrás de mim. Voltei-me e, lá fora, há uns cem metros de distância, um chinês, ósculos escuros e casaco, mãos no bolso, nos espreitava.
Liang pigarreou, dedo trêmulo sobre a página do livro. Ele continuou a folhear, nervoso, as páginas, até o fim.
— Nada de Xangai está chegando, pelas plóximas tlês semanas, detetive. — ele estendeu a mão e apanhou as duas notas. — Sinto muito.
— Compreendo. Mesmo assim, agradeço a sua ajuda.
Não encontrei o homem que nos espiava, quando sai do gabinete de Liang. Contudo, já sabia onde estava a informação que eu procurava. Terceira página, quase no meio dela. À noite, voltarei.
No cais, visitei os gabinetes de vários despachantes, mas poucos puderam me dar alguma informação relevante.
Um dos estivadores, porém, me orientou a falar com Liang, despachante que comumente lidava com embarcações provenientes da China.
O pequeno escritório estava impregnado de fumaça. Liang, em sua mesa, óculos fundo de garrafa, lia um jornal em chinês, abanava-se com um leque, pois o calor era impiedoso, e fumava com languidez.
— Liang? — chamei-o.
Ele voltou para mim os olhos estúpidos.
— Sou Vico, detetive particular.
Liang continuava me observando, como se não estivesse me entendendo.
— Você falar português?
— Sim, é clalo. O que você quel?
— Eu possuo um cliente que está muito preocupado... Ele comprou algumas mercadorias chinesas e há mais de um mês ele está esperando elas chegarem. Ele recebeu a informação de que possivelmente o navio com sua encomenda está para chegar esta semana, mas ele ainda não sabe a data.
Liang não se mostrou muito entusiasmado com meu pedido. Retirei duas notas do meu bolso.
— Tem mais de onde estas vieram. Ponha um pouco de ânimo neste corpinho e me ajude. — ri. A visão do dinheiro foi um estímulo para o despachante, que jogou jornal e leque sobre a mesa e retirou um grosso livro, capa dura, duma gaveta. Liang ajeitou os óculos, abriu o livro e passou a folheá-lo, correndo o dedo pelas anotações.
— De onde você disse que o navio vem mesmo? — Liang perguntou, sem perceber que eu não havia lhe dito nada anteriormente.
— Xangai. Vem de Xangai. — resmunguei.
— Sim, sim... — Liang voltou um par de páginas e reiniciou a procura, dedo correndo pelas páginas. Subitamente, o dedo parou. O cenho de Liang se franziu, ele ajeitou os óculos e olhou, primeiro em minha direção, depois, na direção da porta, imediatamente atrás de mim. Voltei-me e, lá fora, há uns cem metros de distância, um chinês, ósculos escuros e casaco, mãos no bolso, nos espreitava.
Liang pigarreou, dedo trêmulo sobre a página do livro. Ele continuou a folhear, nervoso, as páginas, até o fim.
— Nada de Xangai está chegando, pelas plóximas tlês semanas, detetive. — ele estendeu a mão e apanhou as duas notas. — Sinto muito.
— Compreendo. Mesmo assim, agradeço a sua ajuda.
Não encontrei o homem que nos espiava, quando sai do gabinete de Liang. Contudo, já sabia onde estava a informação que eu procurava. Terceira página, quase no meio dela. À noite, voltarei.
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