sábado, 26 de maio de 2007

Capítulo 15

Carnificina no porto

Dos carros, saltaram os mafiosos, encasacados e metralhadoras expelindo chumbo.

Eles fuzilaram o motorista e o passageiro da caminhonete, no qual estavam as caixas, bem como os marinheiros, que tentavam salvar suas vidas jogando-se no mar, mas que, atingidos pelos disparos, na água encontravam apenas mais um oponente, se não morriam baleados, morriam agonizando, sangrando e se afogando.

Os chineses tentaram uma reação. Um a um, desceram dos carros, mas eram incansavelmente metralhados pelos italianos. Após todos haverem tombado, do último automóvel saiu Vinny. Ele desfilou por entre a carnificina até chegar na carroceria da caminhonete. Conferiu as caixas. Um dos capangas lhe passou um pé-de-cabra, com o qual Vinny abriu uma delas. Parecia estar satisfeito.

Foi quando a cabeça dum dos italianos explodiu, seguido por um som seco. Vinny e seus soldados buscaram cobertura.

Procurei, com meu binóculo, a origem do disparo. Num galpão, ao lado do meu, um franco-atirador recarregava seu rifle.

Eu me escondi.

Ouvi gritos lá embaixo e rajadas de metralhadora. Os italianos tentavam alvejar o atirador, que efetuou um segundo disparo e, provavelmente, abateu mais um, pelos gritos que se seguiram.

Ergui minha cabeça parcialmente. Mais uma vez, o atirador recarregava. No solo, os italianos aproveitavam este momento e correram para seus carros e para a caminhonete. Tentavam fugir da cena de combate.

O atirador efetuou outro disparo, no intuito de acertar o motorista da caminhonete. Mas ela continuou em movimento, os italianos escapavam.

Apanhando seu rifle, o atirador se moveu para o outro lado do depósito, tentando acertar alguns tiros pela retaguarda.

Com a câmera, tirei algumas fotos do assassino. Pelo que tudo indicava, era um dos chineses, encarregado de proteger a operação. Ele havia fracassado.

Fiquei deitado no telhado do depósito por algum tempo. Aguardava que o atirador fosse embora.

Desci e, antes de partir, dei uma olhada na carnificina. Dos italianos, havia apenas um corpo, aquele que teve os miolos espalhados pelo disparo do rifle. Improvável que a polícia conseguisse reconhecer o corpo. Já os chineses, os cadáveres deles estavam por todo lado. Não havia sobreviventes.

Sons de sirenes se aproximavam. Corri até meu carro e percorri o caminho mais longo de volta para o escritório.

Eu estava exausto. Quase quatro horas da manhã. Eu descansaria um pouco e, logo cedo, pegaria um trem para algum lugar.

Para onde?

Ainda não sabia, mas para qualquer lugar longe da guerra que estava para começar.

Arrumei uma valise de mão com alguns trapos, meu revólver e meu bloco de notas. Retirei da pasta um maço de dinheiro, umas quinhentas pratas, dinheiro suficiente para me esbaldar por mais de mês, e depois escondi as duas maletas sob tábuas soltas, embaixo da escrivaninha, junto com a caderneta da Silvana, a pistola e os rolos de filme com as fotos desta noite sanguinolenta.

Despejei-me sobre o sofá, mas não consegui dormir, apesar do cansaço. Estava preocupado, algo me incomodava profundamente. Quando ouvi um bochicho no corredor do prédio, em frente à minha porta, compreendi minha preocupação. Vi silhuetas através do vidro fosco, falavam chinês.

Eles vieram me pegar.

Como chegaram até mim?

Alguém havia me dedurado. Esta era a única possibilidade. Os chineses me esfolariam vivo, era isto que eles costumavam fazer.

Me delataram e agora os chinas estavam à minha porta.

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