sexta-feira, 11 de maio de 2007

Capítulo 11

A luta de Vico contra os chinas

Dos vinte aos vinte e três anos, lutei boxe semiprofessional, categoria Meio-Pesado. Eu era bom... Bom é apelido, eu era do caralho! Pus na lona muito lutador favorito, Bob “Chave Inglesa” Stuart, Gian “Baby Face” Giancarlo, João “Navalha” de Lima, Fernand “Cobra do Deserto” Sarracene. Por trinta lutas, eu fiz meus oponentes amargarem a derrota, até que veio Frank “Tornado” Carlyle e me derrubou no primeiro round, quebrou meu maxilar e me deixou hospitalizado por duas semanas.

Depois disto, fiquei com medo. Para que mentir?

Meu empresário me questionou, queria que eu voltasse, alegou que era apenas uma derrota e que eu superaria logo. Mas eu lhe disse que o médico havia me proibido de lutar novamente. Que eu poderia morrer se pisasse num ringue outra vez. Naquela ocasião, achei que deveria mentir, mas não agora. Tive medo, medo de encontrar outro Frank Carlyle pela frente que me fizesse beijar a lona. Eu havia feito alguma grana, tomado os melhores champanhas, trepado com as vagabundas mais caras, dormido nos melhores hotéis. Torrei todo o dinheiro que ganhei, por isto, quando a carreira acabou, comecei do zero.

O tempo passa e já faz quase vinte anos que meu sangue gelava ao entrar no ringue, ao ouvir no clamor da multidão meu nome. A habilidade se foi, não sou mais o mesmo pugilista de antes, já não tenho mais a mesma velocidade, porém, há certas coisas que nunca se esquece: lembro-me muito bem onde e como dar um bom soco.

Era nisto que eu pensava quando os chinas se aproximaram de mim, rodeando-me, dois empunhando bastões, os outros quatro com as mãos limpas.

O primeiro deles avançou sobre mim, chutando-me na altura do rosto. Antes que ele pudesse me alcançar, fiz a finta e acertei um upper no queixo do desgraçado. Ele tombou como um poste, completamente fora de combate.

Um segundo veio, soltando gritinhos, querendo me intimidar. Desferiu dois ataques com seu bastão, mas me esquivei, surpreendentemente, como nos bons tempos de juventude. Pude então entrar uma combinação, um gancho no fígado, outro no baço e um cruzado de esquerda. Este china também caiu, não inconsciente, mas agonizando com os golpes.

A maré de boa sorte não poderia durar para sempre. Um deles me acertou uma voadora nas costas, desequilibrei. Outro, pela frente, me chutou o abdômen. Uma bastonada na parte posterior da coxa me derrubou. Os quatro que estavam de pé passaram a me chutar no chão. Num reflexo, protegi a cabeça com os braços. Perder a consciência seria meu fim. Eles continuaram chutando, chutando, chutando.

Quando encontrei uma brecha, enfiei a mão dentro do casaco e saquei do coldre o revólver; disparei, acertando o joelho dum dos bastardos. Ele caiu e se arrastou para trás, gemendo. Ao me verem armado, os chineses se afastaram.

Cambaleante, escorando-me na parede, ergui-me. Os chineses hesitavam, não sabiam se deviam avançar sobre mim e acabar o serviço, ou correr e salvar as próprias vidas.

— Tenho cinco balas nesta merda! Vocês são três... Quem vai ser o macho a dar um passo pra frente?

Eles se olharam, permaneciam imóveis.

Com a arma apontada para eles, segui em direção ao meu carro. Eles me acompanhavam, à distância.

Eu estava todo arrebentado, mas já tinha a informação que precisava. Agora era só me encontrar com Viccenzo e receber o resto do pagamento.

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